Inhame gera dúvida na hora de comprar: qual é a diferença para o cará, por que não dá pra comer cru e o que fazer com ele além de cozinhar na água. A Naturvida trabalha com hortifrúti nas lojas, e o maior movimento dessa seção passa pela loja de Santa Cruz do Sul, na Rua Coronel Oscar Jost, 1007. Como raiz depende de safra, o que tem numa semana pode não ter na outra, então vale perguntar na loja o que chegou.
Origem e História
O inhame é um tubérculo com uma história milenar, suas raízes remontam a diferentes regiões ao redor do mundo. Acredita-se que ele tenha surgido originalmente na África, sendo cultivado e consumido há mais de 5 mil anos. Com o tempo, sua popularidade se espalhou para outras partes do mundo, incluindo a América Latina, Ásia e ilhas do Pacífico.
Em muitas culturas, ele desempenha um papel cultural e tradicional importante. Na África, por exemplo, é considerado um alimento básico e fundamental na dieta de muitas comunidades. Sendo sempre valorizado por sua versatilidade, sabor único e propriedades nutricionais.
Além disso, esse tubérculo tem uma conexão simbólica com rituais e crenças. Em algumas culturas africanas, o inhame é considerado sagrado e está associado a rituais de fertilidade e prosperidade. Na América Latina, é comum encontrá-lo em pratos tradicionais, como o “tacacá” na região norte do Brasil e a “sopa de mondongo” em países como Colômbia e México.
Nutrientes e Propriedades
Inhame cozido é quase todo amido e água, com fibra junto. Também traz vitamina C, vitamina B6, ácido fólico e um pouco de vitamina B1, em quantidade que varia conforme o tipo e o tempo de cozimento, já que parte da vitamina C se perde na água da panela.
Entre os minerais aparecem potássio, manganês, cobre e magnésio. O potássio é o mais presente, o que aproxima o inhame da batata nesse aspecto.
A raiz também tem compostos antioxidantes, mais concentrados nas variedades de polpa roxa, que devem a cor às antocianinas. Isso não transforma o inhame em remédio. Ele entra na conta como parte de uma alimentação variada.
Benefícios do Inhame para a Saúde
Antes de qualquer coisa, um aviso que vale para todo alimento: nenhum ingrediente sozinho cura, trata ou previne doença. O que dá pra dizer com honestidade é o que o inhame tem e como as pessoas usam no dia a dia.
O inhame tem compostos com ação antioxidante, como boa parte dos vegetais. É uma informação de composição. Nenhum item isolado do prato faz milagre.
A fibra é o ponto mais concreto. Inhame cozido tem fibra e bastante amido, e por isso muita gente usa como base da refeição, no lugar do pão ou do macarrão. Do lado da despensa, psyllium husk e linhaça dourada estão entre os itens de granel mais vendidos da rede, e a gente vende os dois já pesados e embalados na loja.
Culinária
O inhame é um ingrediente versátil na culinária, podendo ser utilizado de diversas maneiras. Ele pode ser cozido, assado, frito, usado em sopas, purês, saladas e até mesmo em sobremesas.
Uma das formas mais populares de preparar o inhame é cozinhá-lo, seja em água fervente ou no vapor, até que fique macio. Depois de cozido, ele pode ser consumido sozinho, temperado com azeite e ervas, ou utilizado como base para purês e sopas.
Outra opção é assar o inhame, cortado em fatias ou cubos, com temperos como alho, azeite e ervas aromáticas. O resultado é um acompanhamento saboroso e saudável.
Frito também funciona. Cortado em palitos ou rodelas e frito em óleo quente, o inhame fica crocante por fora e macio por dentro, e vale como petisco.
Além disso, existem diversas receitas tradicionais que valorizam ele, como o famoso “caruru”, um prato típico da culinária baiana, que leva inhame, quiabo, camarão seco e temperos. O inhame também pode ser utilizado em bolos, pães e biscoitos, conferindo sabor e umidade às preparações.
Usos tradicionais pelo mundo
Em várias culturas o inhame aparece em preparos caseiros e em usos que passaram de geração pra geração. Vale registrar isso como cultura alimentar, com uma ressalva importante: tradição não é comprovação científica, e nada disso substitui tratamento médico.
Na África Ocidental, onde o inhame é base da alimentação, a colheita tem festa própria, e a raiz ocupa na mesa um lugar parecido com o do arroz e do feijão por aqui. Na Ásia, as variedades de polpa roxa entram tanto em prato salgado quanto em sobremesa.
Circula muito na internet a história da diosgenina, um composto presente em espécies do gênero Dioscorea que a indústria farmacêutica já usou como matéria-prima de laboratório para sintetizar hormônios. Comer inhame não reproduz esse processo dentro do corpo. Quem tem questão hormonal precisa de acompanhamento médico.
Resumo honesto: use o inhame como alimento. Se a intenção for tratar alguma condição de saúde, converse com médico ou nutricionista antes.
Curiosidades
Inhame e Cará são a mesma coisa?
O inhame e o cará são dois tubérculos distintos, embora possuam algumas semelhanças. A principal diferença entre eles está na sua origem botânica e nas características físicas.
Botanicamente existem duas plantas diferentes por trás desses nomes. Uma é o gênero Dioscorea, da família Dioscoreaceae, com raízes que chegam a ficar bem grandes, casca marrom e polpa branca ou arroxeada. A outra é a Colocasia esculenta, da família Araceae, aquela raiz menor e arredondada, de casca marrom com anéis, que fica levemente pegajosa depois de cozida.
O que confunde é o nome popular, que muda conforme a região do país. No Sul e no Sudeste, a Colocasia pequena costuma ser chamada de inhame, e a Dioscorea grande, de cará. No Norte e no Nordeste isso se inverte com frequência. Pedir inhame em Santa Cruz do Sul e pedir inhame em Belém pode trazer coisas diferentes pra sacola. Na cozinha as duas se comportam de modo parecido, cozinham rápido e engrossam sopa.
Inhame cru faz mal?
Inhame cru não se come. Cru, ele tem cristais de oxalato de cálcio que irritam a boca e a garganta, aquela coceira e ardência que muita gente já sentiu ao descascar a raiz sem luva.
O inhame cru também tem inibidores de tripsina, substâncias que atrapalham a digestão de proteína. O cozimento inativa boa parte deles.
Portanto, é recomendado cozinhar o inhame antes de consumir, pois o processo de cozimento ajuda a quebrar essas substâncias antinutricionais e toxinas, tornando-o seguro para o consumo. Cozinhar ele também melhora sua textura e sabor, tornando-o mais agradável ao paladar.
Inhame é antiinflamatório?
A resposta honesta é que não dá pra afirmar isso. O inhame tem compostos bioativos, como flavonoides e fitoesteróis, estudados em laboratório. Daí até dizer que comer inhame reduz inflamação no corpo de alguém existe uma distância grande, e a legislação brasileira não permite esse tipo de alegação em rótulo de alimento.
O que dá pra dizer sem esticar a verdade é que inhame é uma raiz com fibra e amido, sem gordura e praticamente sem sódio, e que cabe bem numa alimentação com pouco ultraprocessado.
Se a busca por menos inflamação for o motivo, o caminho que faz mais sentido é olhar a alimentação inteira em vez de um ingrediente sozinho.
Inhame faz mal para o fígado?
Não existe evidência de que inhame cozido, comido em quantidade normal, faça mal ao fígado de quem é saudável. Ele é um alimento comum, com amido e fibra, e entra no prato como qualquer outra raiz.
No entanto, é importante ressaltar que cada pessoa pode ter uma resposta individual a determinados alimentos e que pessoas com condições hepáticas específicas devem seguir as orientações médicas em relação à sua dieta.
Algumas pessoas podem apresentar sensibilidade ou intolerância ao inhame, o que pode causar desconforto gastrointestinal. Nesses casos, é recomendado evitar o consumo ou consultar um profissional de saúde para obter orientações adequadas.
Tipos de inhame
Existem vários tipos de inhame, cada um com suas características distintas. Alguns dos tipos mais comuns são:
- Inhame branco: casca marrom-clara e polpa branca. Fica macio e de sabor neutro depois de cozido, o mais fácil de usar em purê.
- Inhame cará: Possui uma casca marrom-escura e uma polpa amarelada. Tem um sabor mais adocicado e é frequentemente usado em preparações doces.
- Inhame da costa: Possui uma casca rugosa e marrom-avermelhada. A polpa é branca ou amarelada e tem uma textura fibrosa.
- Inhame roxo: casca escura e polpa que pode puxar para o roxo, com sabor mais adocicado. A cor vem das antocianinas e aparece muito em pão e bolo.
- Inhame chinês: também chamado de inhame amarelo, tem casca marrom-avermelhada e polpa amarela, mais seco e firme que os outros.
- Inhame africano: casca marrom-escura, polpa branca ou amarelada e textura firme. É o tipo que sustenta a alimentação em boa parte da África Ocidental.
Dá pra passar o olho no catálogo online e ver o que temos em cada categoria antes de sair de casa.
Onde comprar e o que costuma ir junto
O hortifrúti da Naturvida se concentra na loja de Santa Cruz do Sul, que é a maior das três nesse setor. Venâncio Aires e Lajeado também trabalham com hortifrúti, em escala menor. Tubérculo depende de safra, então o mais prático é perguntar na loja o que chegou na semana.
Na prática o inhame quase nunca vai sozinho no prato. O que costuma sair na mesma compra:
- Tempero seco. Alho em pó, louro em folha, orégano e sal marinho dão conta de um inhame assado sem precisar de nada industrializado.
- Gengibre em pó. Entra bem em sopa e em purê de inhame.
- Fibra de granel. Psyllium husk e linhaça dourada. O granel aqui sai já pesado e embalado pela loja.
Esses itens de mercearia passam pelo mesmo padrão de qualidade que a gente aplica antes de colocar qualquer coisa na prateleira: lista de ingredientes curta e reconhecível, sem gordura hidrogenada e sem glutamato monossódico, entre outros itens que evitamos. O resto do sortimento está em produtos naturais, e os endereços e horários das três lojas ficam aqui.
